Plebiscito da ADUnB tem 64% de abstenção

Depois de um processo eleitoral truculento e de apenas 36% dos professores da ativa terem participado da consulta, diretoria da entidade quer legitimar resultado incoerente e tornar o Consuni refém dos falsos números

Faixa da ADUnB

Diretoria do sindicato dos docentes divulga números errados e manipula informação

Na  terça-feira (10), a comunidade da Universidade de Brasília (UnB) foi surpreendida com várias faixas instaladas no campus Darcy Ribeiro, na Asa Norte. A mensagem, com o resultado do plebiscito da ADUnB sobre regras de eleição para reitor, convoca os professores a exigirem eleições imediatas para dirigente máximo.

Contudo, a maioria dos cerca de 40 mil integrantes da comunidade universitária (dados da Secretaria de Comunicação – Secom) nem sequer percebeu que as tais faixas, cuidadosamente instaladas nos locais estratégicos de circulação dos veículos, envia mensagem para 2.500 professores da ativa, dos quais, apenas 36% depositaram votos nas urnas da entidade sindical.

Entre os números divulgados, a diretoria da ADUnB não mencionou que a vitória do plebiscito foi da abstenção: 64% do total de professores da ativa não votou. O resultado verdadeiro mostra ainda que apenas 903 professores da ativa, e não 937, participaram do plebiscito. Considerando-se o universo de professores na ativa (2.500), apenas 29% elegeu  o modelo 70/15/15, e não 81%; 6% votou na paridade, e não 16%; e 0.8%, votou no universal, e não 2%, como está dito nas faixas que a diretoria da ADUnB mandou instalar em todo o campus.

Confrontado com o número real de professores da UnB, o resultado revela que a maioria dos docentes nem sequer passou por perto das urnas. Com isso, os participantes do Comitê pela Paridade na UnB concluíram que não é possível chancelar um plebiscito em que 64% do público-alvo não foi ouvido, os demais segmentos da comunidade foram proibidos de participar e o debate sobre o tema não foi instaurado.

As incoerências e trapaças para a realização dessa consulta com resultado favorável aos 70/15/15 não param por aí. Além da omissão do verdadeiro resultado do plebiscito, os docentes que participaram do comitê eleitoral contam que a diretoria da entidade promoveu vários tipos de irregularidades no decorrer do processo eleitoral.

Eles relatam que “o plebiscito da ADUnB se notabilizou pela interdição do debate, pela exclusão dos estudantes e servidores, pelo cancelamento de assembleia,  pela  censura e, sobretudo, pela  violação das urnas”.

O professor de filosofia, Rodrigo Dantas, disse que “o grupo formado pelos apoiadores de Lauro–Timothy (antiga maioria existente até 2008) se valeu de todos os artifícios antidemocráticos para nos impor a impressão de que seu grupo (representados por pouco mais de 700 votos) representa a opinião da maioria dos docentes. E exige agora fazer do Consuni (e da comunidade) reféns desse plebiscito”, denuncia.

Dantas diz que quem definirá o método de votação para eleição de reitor “serão os colegiados e conselhos após o mais livre debate interno – não será nem o Consuni, nem o plebiscito da ADUnB. E não será a ADUnB que vai censurar os artigos escritos (e assim interditar o debate sobre 2008 com censura e ameaças de judicialização). A Administração como meio institucional é que vai assegurar as condições do livre debate democrático”, afirma.

O professor de filosofia resgata ainda a noção da “dupla origem da paridade: na luta contra a ditadura e contra a ‘oligarquia’ acadêmica clientelista sob denúncias de um vasto esquema de corrupção (condenações judiciais, etc.)”. Segundo ele, a discussão sobre esse tema “deve ser realizada na universidade: o caminho não é um plebiscito que obrigue o Consuni a deliberar com base nele, sob a proteção das tropas policiais. O caminho é o livre debate na comunidade”.

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Comité Pró-Paridade em ação na UnB por eleições paritárias para reitor. Todo mundo vale o mesmo peso!
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Uma resposta para Plebiscito da ADUnB tem 64% de abstenção

  1. Embora com imenso atraso, gostaria de registrar aqui minha satisfação pela “correção” que este artigo faz da “estatística da ADUnB”. Quando vi a tabela com os resultados da consulta da ADUnB, fiquei achando que a análise estatística desses dados fosse uma brincadeira. Tive vontade de mandar à diretoria da ADUnB meu exemplar de “How to lie with statistics”. Lamento não ter conseguido encontrar esse livro na minha coleção. Observei ainda que o número total dos votos era (um pouco) maior do que o número de votantes! Isso pode? Além disso, sempre soube que as decisões dentro da ADUnB devem ser construídas na Assembleia Geral (Art. 13 a 17). Minha experiência de trinta anos de UnB me diz que nós professores (a maioria) nunca aprendemos (e lamento prever que nunca aprenderemos!) a lutar por nossos direitos através do sindicato. Sindicato é coisa de trabalhador de fábrica! Fico por aqui!. Atenciosamente. Tarcisio Zandonade.

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